sábado, 29 de dezembro de 2007
O destino
Uma boca, um sopro
Só isso alguns precisam para passar além de si.
Processo simples e raro. A partir do despertar o movimento é cíclico e independente.
Uma mão, um murro
Um dente, uma mordida
Só isso a maioria recebe e não passa de si.
Processo simples e comum. A partir do despertar o movimento é cíclico e expansivo.
A sutileza é encontrada em poucos e só estes podem tocar e soprar; se não os encontra estará lançado à sorte. Assim o mundo é regido: todas as almas jogadas em um campo de batalha.
Socando, soprando, apanhando e voando
Salvem-se quem tiver sorte!
sábado, 8 de dezembro de 2007
Pequena seleção
Como sozinhos estamos, sozinhos estaremos. Nunca deixamos de ser sozinhos, se vos não te considera, enganado está. A lógica é simples, seu cérebro, suas experiências constituem uma maneira única de pensar, de tal maneira ninguém, em absoluto, o entendera, logo estará em seu pensar solitário.
Funeral
Sinos, Sinos...
Ouvindo-nos. Vendo-nos.
Badala, Badala, Badala...
sábado, 1 de dezembro de 2007
Morra!
Qual é meu motivo? Será sonho?
Em ultima instância é tudo desnecessário! Tudo em vão!
Não me darão verdadeiro valor! Não podem nem se dar valor!
Por fim, vai acabar! Vão depender mais e mais!
Parasitas! Não vou fazer de vós nada!
Não, não… tudo menos isso, mártir nunca!
Só o futuro! Só dos que ainda não viveram existirá morte!
Faça como eu:
Mata-te! Reconstrua-te! Fortaleça-te!
Mas não viva! Não, Não, Não!
Não seja mais um parasita!
Seja grande! Seja imponente! Esteja além!
Criança-homem seja Homem! Seja Homem-Criança!
Tenho fome! Tenho sede!
Desejo-te o mesmo: Gula!
Não pare! Não Sucumba!
Mas morra! Morra! Morra!
Renasça! Renasça! Renasça!
Sempre!
Enfim, Crie!
segunda-feira, 26 de novembro de 2007
O Cadáver de Lima Barata
Não! Não se aproximem! O que tenho a dizer-lhes é tão putrefacto quanto a minha carne. Tão repugnante quanto o cheiro que exalo. Perto de mim só viverá esses germes que me comem o corpo e os urubus que circulam no Céu.
Enfim, estou livre.
Como é bom estar morto.
Não lhes pareço esteticamente perfeito, admito, mas o que é um pobre cadáver perto de milhares de germes esfomeados? Mesmo assim (ou "por isso", se preferir) é bom estar morto.
Estou livre:
Padre Augusto, nunca confessei-mo que a imagem da Santa Maria (aquela no alto esquerdo da paróquia) tem a tinta do manto azul descascada pela velhice, dando-me uma incontrolável impressão de nudez. E menos ainda contei-lhe que isso sempre me excitou e não foi uma única vez que durante o sexo em prostíbulos, o fazia pensando nela.
Aproveitando o assunto: Eusébia, bia, minha fiel mulher. Eu ia a prostíbulos.Frequentemente.
Eulália, querida filhota. Sempre soube que andava de namorico com a prima do cabral. Na realidade, eu até me desfrutava com a sinfonia sexual que propagava, abafada, do seu quarto nas noites em que chegava cedo em casa. O que posso fazer? É meu instinto (será?).
Cabral, quanto aos lucros do nosso próspero negócio (sim, era próspero), escondi-lhos quase que inteiramente durante os últimos 17 anos. Considerando juros, devo-te US$ 237,044.30 (Duzentos e trinta e sete mil e quarenta e quatro dólares e trinta centavos). Recorra judicialmente, mas se não estou enganado, a confissão de um defunto não terá muita credibilidade no tribunal.
Esperem! Não saiam ainda! Não contei 1% de minha vida. Entretanto tenho só mais algumas póstumas palavras a dizer:
Hoje retornarei ao meu caro caixão sentindo-me mais... humano. Não especificamente por ter-lhes contado tudo isso (pelo contrário, isso me faz sincero demais), mas pelo fato de todos agora me conhecerem. Não conseguiria descansar em paz sem esse real desabafo.
Lima Barata lentamente arrastou-se até o cemitério.
As ruas estão desertas. A cidade está dormindo. Hoje a partir da tarde haverá carnaval. Todos irão dançar e cantar alegremente.
Algumas pessoas, entretanto, permanecerão em casa.
domingo, 11 de novembro de 2007
Moral Banhada a Sangue (beta)
A natureza criou o homem como um ser, além de tudo, capaz de seguir promessas. Diferente de todos os outros animais, o homem tem a capacidade de realizar, mesmo contra sua vontade, ações que havia por alguma razão prometido. Isso se deve primeiramente pela capacidade de lembrança, (o que o torna um ser “confiável”), e por aquilo que Nietzsche denomina moralidade do costume.
A moralidade do costume é um conjunto de regras sociais que inicialmente nos foram impostas e que posteriormente se torna natural e até óbvio. Forma-se então um “consenso” geral sobre essas regras e junto a ele um sentimento de “liberdade”: O homem se sente livre, pois pode fazer tudo o que acha correto, mas não percebe (ou lembra), que sua definição de certo e errado (bem como todos os valores morais) foi imposta. Seria uma falsa liberdade ou liberdade controlada. Em uma análise mais profunda o que é chamamos de liberdade é, na verdade, nossa capacidade de seguir regras. Analisando a origem da palavra liberdade, vemos que está ligada ao império romano, -Euleteres- onde existiam os “livres” e os “não-livres”(escravos). E porque os escravos eram “não-livres”? Justamente porque não seguiam as regras estipuladas pela aquela civilização.
Como as regras sociais foram impostas ao homem? Através da violência. Os fatos históricos mostram que a maneira mais usada e provavelmente a mais eficaz de impor regras em um ser é a punição e o castigo. Não precisamos, entretanto, olhar muito para trás para achar tais fatos. Tanto na época de Nietzsche, quanto na nossa, a violência é largamente utilizada para ensinar uma pessoa a agir conforme os valores morais da socieade. Uma criança (em geral), por exemplo, apanha para aprender a comportar-se como seus pais querem. E esses apanharam quando criança, e assim retroativamente até épocas muito antigas da nossa sociedade.
“O conceito moral de culpa teve origem no conceito muito material de dívida”. Foi na relação entre credor e devedor que o homem criou a idéia de punição. O credor se sente prejudicado por um devedor negligente e sente o direito de puni-lo como forma de compensação. O homem cria, então, o sentimento de “culpa”, a “má consciência" a partir do momento que percebe (e sofre) que não cumpriu uma promessa. E posteriormente, essa punição recebe ponderações, de forma que o credor puni de maneira tão grande quanto achar que a dívida “exige”.
A relação credor/devedor se baseia fundamentalmente no que foi discutido no primeiro parágrafo: o fato do homem ser um ser capaz de cumprir promessas. Portanto, no estabelecimento da dívida, o credor faz com o devedor um contrato, no qual assegura ao credor algo que o devedor possua caso a dívida não seja cumprida, como sua casa, sua mulher ou uma parte do seu corpo. Isso dá ao credor uma sensação de poder e de satisfação íntima. Vemos ai, a punição entrelaçada à crueldade. Pode-se considerar que simplesmente ao nascer, o homem já estabelece com a sociedade um contrato: seguir as regras que, burocraticamente, são as leis.
O foco da origem dos conceitos morais está, então, nessa esfera de “culpa”, “consciência” “dever”, que por sua vez tem a origem banhada a sangue. O sofrimento do devedor se torna compensação para dívida na medida em que fazer sofrer é altamente gratificante, pois assim é trocado o desprazer do não cumprimento pelo dano, que pode ser chamado de contraprazer.
Diferentemente em outras épocas, o homem hoje tem vergonha de seus sentimentos (como a crueldade), pois tem a má consciência. Essa “vergonha do próprio homem” está entrelaçada aos valores morais cristãos. É comum ouvirmos frases como “o homem é um pecador”, “o homem precisa do perdão de Deus”. Esses valores morais e a má consciência também fragilizaram o homem à dor, tanto física como intelectual. O homem sofre quando tem a “consciência de culpa”.
sábado, 3 de novembro de 2007
Dum, Ding-ding, Dum Tah
é o baixo no pandeiro
é a cuba com áfrica
o branco com preto
é o preto incorporando
com o branco brasileiro
o som do preto americano
é o jazz no samba
é Vinicius de Morais
terça-feira, 16 de outubro de 2007
Gritos de Solidão
Há pouco estava morto, a muito estava só. Hoje estou abandonado.
Abandonado das crenças e com pensamentos distantes, louco por desabafo e evolução, afobado por dizer algo, não digo bem. Assim apodreço de dentro para fora.
Não acho que chegara o inicio do fim, talvez, seja o fim do meu inicio. Meus caminhos se condenam e se questionam, meu ser torna-se mais limpo, mais ébrio, mais agudo.
Como um irritante som passo por estreitas fendas vazias, ocas de vida, ocas de sons. Grito só, na solidão de uma voz que nem eco tem. Por sorte grito só e sem ecos, assim ainda não fiz o que há de pior!
Gritando e esfregando em grandes paredões o vento se machucou e moldou essas muralhas amargas e inflexíveis. Aos poucos o que era uma fenda tornou-se caminho.
Dentro dessa gigantesca montanha existem milhares de fendas, cada uma a espera de um vento que a desvende, a desfigure, a questione. Eu sou um desses ventos, sou um dos poucos!
Outrora me pus de encontro com vários ventos: graves, lentos, perspicazes,…; tornaram-me mais forte, mais maduro, mais vivido, e menos só. Pois ventos passam e te alteram, te mutilam e te constroem; tudo depende do vento advindo - Prefiro os mutiladores, testam minha capacidade restauradora -, mas ventos passam…
Mutilei muitas brisas, alguns ventos, poucos morreram antes de me encontrar, entretanto a maioria me mutilara. Tiveram aqueles que se tornaram meus concorrentes, não os quero maior que eu! Por isso amo-os, por isso prezo-os, por isso tenho-os como objetivo, por isso vou sempre de encontro a eles!
Em busca de novos ventos estou, e de encontro dos velhos e fortes ventos estou.
Mas estes estão cada vez mais dispersos pela montanha, não vejo mais os velhos e os novos, estes sim, há anos não aparecem. Não estou mais só, fui abandonado. Talvez tenha arrancado pedaços demais deles, ou seus ventos não passem pelos mesmos caminhos que eu, às vezes eles fugiram da montanha, voltaram para onde não existem ventos só calmaria.
Parece que um fim chegara: o fim das confissões e das trocas, das críticas, das brigas; do que era mais bonito em ventos amigos. Ainda sim não saio das fendas, não saio da montanha, quero destrinchá-la até seu ultimo caminho. Desse modo me mutilo, me moldo, minha massa perpetua, ainda que meu coração compadeça.
segunda-feira, 15 de outubro de 2007
Mother Nature Son
Não só obrigado, mas também estimulado.
Ao som de Shostakovich (thanks to Alfred) rejo minhas mãos para descrever a natureza, e talvez seja ao mesmo som que ela vive: nada mais forte, bravo, grande e assustadoramente imponente do que o planeta Terra. Nós humanos somos apenas algumas celulasinhas nesse planeta. Células carcinogênicas. Nada é tão burro quanto um câncer, que cresce, cresce, cresce até matar sua única forma de sobrevivência. A leve quimioterapia que a Terra iniciou (aquecimento e falta de recursos) é, para mim, uma forma de mostrar como ela pode nos eliminar de forma ridiculamente fácil. Sim, para isso ela sofrerá efeitos colaterais, como esperado de tratamentos desse tipo, mas com certeza seremos nós eliminados e Ela recuperada.
Deixando a metáfora de lado, ela é forte e grande, nós somos fracos e minúsculos. Se quisermos sobreviver ( e queremos), é bom respeita-la.
sábado, 13 de outubro de 2007
On The Run
domingo, 7 de outubro de 2007
Plágio Amador
quarta-feira, 26 de setembro de 2007
segunda-feira, 24 de setembro de 2007
Gênesis com Catupirí
Evolução dos Mortos
A muito sinto,
A muito necessito,
Devo retomar a escrita?
Símbolo da evolução humana!
Tornamos capazes de convencer!
Matamos os nossos filhos!
Já nos mataram!
Só os mortos mataram!
