terça-feira, 16 de outubro de 2007

Gritos de Solidão

Há pouco estava morto, a muito estava só. Hoje estou abandonado.

Abandonado das crenças e com pensamentos distantes, louco por desabafo e evolução, afobado por dizer algo, não digo bem. Assim apodreço de dentro para fora.

Não acho que chegara o inicio do fim, talvez, seja o fim do meu inicio. Meus caminhos se condenam e se questionam, meu ser torna-se mais limpo, mais ébrio, mais agudo.

Como um irritante som passo por estreitas fendas vazias, ocas de vida, ocas de sons. Grito só, na solidão de uma voz que nem eco tem. Por sorte grito só e sem ecos, assim ainda não fiz o que há de pior!

Gritando e esfregando em grandes paredões o vento se machucou e moldou essas muralhas amargas e inflexíveis. Aos poucos o que era uma fenda tornou-se caminho.

Dentro dessa gigantesca montanha existem milhares de fendas, cada uma a espera de um vento que a desvende, a desfigure, a questione. Eu sou um desses ventos, sou um dos poucos!

Outrora me pus de encontro com vários ventos: graves, lentos, perspicazes,…; tornaram-me mais forte, mais maduro, mais vivido, e menos só. Pois ventos passam e te alteram, te mutilam e te constroem; tudo depende do vento advindo - Prefiro os mutiladores, testam minha capacidade restauradora -, mas ventos passam…

Mutilei muitas brisas, alguns ventos, poucos morreram antes de me encontrar, entretanto a maioria me mutilara. Tiveram aqueles que se tornaram meus concorrentes, não os quero maior que eu! Por isso amo-os, por isso prezo-os, por isso tenho-os como objetivo, por isso vou sempre de encontro a eles!

Em busca de novos ventos estou, e de encontro dos velhos e fortes ventos estou.

Mas estes estão cada vez mais dispersos pela montanha, não vejo mais os velhos e os novos, estes sim, há anos não aparecem. Não estou mais só, fui abandonado. Talvez tenha arrancado pedaços demais deles, ou seus ventos não passem pelos mesmos caminhos que eu, às vezes eles fugiram da montanha, voltaram para onde não existem ventos só calmaria.

Parece que um fim chegara: o fim das confissões e das trocas, das críticas, das brigas; do que era mais bonito em ventos amigos. Ainda sim não saio das fendas, não saio da montanha, quero destrinchá-la até seu ultimo caminho. Desse modo me mutilo, me moldo, minha massa perpetua, ainda que meu coração compadeça.

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

Mother Nature Son

Por circunstâncias ultra-externas eu me sinto obrigado a escrever, hoje, sobre sua casa.
Não só obrigado, mas também estimulado.
Ao som de Shostakovich (thanks to Alfred) rejo minhas mãos para descrever a natureza, e talvez seja ao mesmo som que ela vive: nada mais forte, bravo, grande e assustadoramente imponente do que o planeta Terra. Nós humanos somos apenas algumas celulasinhas nesse planeta. Células carcinogênicas. Nada é tão burro quanto um câncer, que cresce, cresce, cresce até matar sua única forma de sobrevivência. A leve quimioterapia que a Terra iniciou (aquecimento e falta de recursos) é, para mim, uma forma de mostrar como ela pode nos eliminar de forma ridiculamente fácil. Sim, para isso ela sofrerá efeitos colaterais, como esperado de tratamentos desse tipo, mas com certeza seremos nós eliminados e Ela recuperada.
Deixando a metáfora de lado, ela é forte e grande, nós somos fracos e minúsculos. Se quisermos sobreviver ( e queremos), é bom respeita-la.

sábado, 13 de outubro de 2007

On The Run

O que é real? Por que deve ser real? Está tudo tão perto, está chegando, é quase, nunca é quase. Nada é real. Tudo é sobriamente colorido. Loucura? Só se formos todos loucos. Concluo, eu não sou louco, vocês que são. Sou reprimido, engarrafado, armazenado. Você não é? Você é livre? Você é único. Sempre seremos únicos. O algarismo que resume o homem é 1. Por quê? Você tem a resposta. Não, não tem? Então é enganado, não por mim, não pelo mundo, não por deus, espere! - Deus? Deus existe? - voltando, é por você mesmo. Seu tolo! Seu humanóide! Seu animal! Ei, esta ultima foi um elogio viu? Não gostou de ser animal? Que pena! Essa é a vida real.

domingo, 7 de outubro de 2007

Plágio Amador

Daqui eu vejo a ponta dum burití. O fogo do sol não há de tratar zombado comigo e lá eu mato a sede da pele. Não tenho gotas pra chorar. Se tivesse também, seria sobra de luxo. Seo Lineu cá estivesse tratava de tomar solução boa. Homem de saberes. A cidade grande faz esperteza nas ações dos homens. Tras curas. Só não falam as línguas do mato, do mutúm, do burití. Mutúm, quando fala, solta gemido de gente. Sofre a jungla toda. Buriti solta casca de folha velha e estala no céu e no chão.O burití molha pé num fio d`água. É choro de morro que desce na face do cerrado e cai no mundo mar. Não alcança fundura nem pra lotar o cantil. Fio invísivel de água. Fio estúpido de água que alimenta a vida do burití por quartos de século. Burití velho que já viu mortes e amores. Cerrado infindo que viu Deus e viu homens, de barro e sopro.