domingo, 7 de outubro de 2007
Plágio Amador
Daqui eu vejo a ponta dum burití. O fogo do sol não há de tratar zombado comigo e lá eu mato a sede da pele. Não tenho gotas pra chorar. Se tivesse também, seria sobra de luxo. Seo Lineu cá estivesse tratava de tomar solução boa. Homem de saberes. A cidade grande faz esperteza nas ações dos homens. Tras curas. Só não falam as línguas do mato, do mutúm, do burití. Mutúm, quando fala, solta gemido de gente. Sofre a jungla toda. Buriti solta casca de folha velha e estala no céu e no chão.O burití molha pé num fio d`água. É choro de morro que desce na face do cerrado e cai no mundo mar. Não alcança fundura nem pra lotar o cantil. Fio invísivel de água. Fio estúpido de água que alimenta a vida do burití por quartos de século. Burití velho que já viu mortes e amores. Cerrado infindo que viu Deus e viu homens, de barro e sopro.
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Notas do autor:
Inspirado no vivente dos campos gerais de Guimarães Rosa com uma pitada de "eu moro na cidade grande e nunca fui a roça"
(eu já fui a roça várias vezes, o que não impede, porém, de usar uma pitada disso no texto)
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